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          Pgina Inicial  O autor  C.Ca. 1496         Mapa da Guine   CONVIVIOS  Crnicas
  O primeiro Pelotăo de Caçadores da Companhia 1496. Cerca de 40 homens que eu tive a honra de comandar durante mais de dois anos, na instruçăo em Abrantes e Santa Margarida e depois em plena guerra, na Guiné. Durante esse período, fomos a família uns dos outros e hoje, mais de 40 anos depois, juntamo-nos periodicamente para reafirmarmos essa fraternidade! Primeiro Pelotăo C.Caç 1496
  Uma bolanha na Guiné O terreno em que se desenrolava a guerra punha à prova a resistęncia física e anímica dos soldados. As "bolanhas" eram muitas vezes obstáculos quase intransponíveis, ocupando largas extensőes em que as colunas militares se tornavam em alvos fáceis.
  A outra característica do terreno era a mata, algumas vezes espessa, que tornava penosa a marcha e, por outro lado, constituía camuflagem perfeita para os guerrilheiros. Tal como as bolanhas, também a mata era pasto favorável aos mosquitos e às moscas que infestavam o território. Mata na Guiné
  Mata da Guine Em clareiras estrategicamente abertas na mata os guerrilheiros desenvolviam as suas fontes de produçăo. Ou plantavam lavras, sobretudo de mancarra (amendoim), ou construíam laboriosas destilarias da apreciada e fortíssima aguardente de cana.
  As operaçőes de rotina, normalmente de patrulhamento, levaram-nos a palmilhar centenas de quilómetros no período de comissăo, a rondar os dois anos de permanęncia na Guiné, um dos quais em zona de contacto certo com o inimigo. Operaçăo militar
  Operaçăo militar Sem estradas ou picadas, era na maior parte das vezes por caminhos pedonais que as deslocaçőes se faziam. Năo havia alternativa aos carreiros abertos pelo calcar de milhares de pés, o que favorecia a colocaçăo de minas anti-pessoal, que constituíam dos maiores pesadelos da tropa na Guiné.
  As poucas estradas eram de terra batida e exigiam extraordinárias medidas de segurança, para prevenir năo só as frequentes emboscadas, como as minas anti-carro. Imediatamente antes de passarem as viaturas com géneros para a tropa aquartelada no interior, era necessário "picar" com ferros aguçados os trilhos por onde rodavam as viaturas. Era um trabalho moroso, perigoso e muitas vezes ineficaz. Patrulhamento de uma estrada
  Autometralhadora ligeira apanhada por uma mina anti-carro Um exemplo dos estragos que provocavam as minas anti-carro. Normalmente a coluna era precedida por um camiăo pesado e carregado com sacos de areia para servir de rebenta-minas. Mas muitas vezes  eram apanhadas as viaturas ligeiras, como é o caso desta Daimler, que năo era mais do que um jeep blindado com uma auto-metralhadora montada.
  A orografia da Guiné é caracterizada pela existęncia de uma rede apreciável de rios navegáveis. A Marinha de Guerra portuguesa desempenhou um papel fundamental no abastecimento das unidades militares e também das populaçőes e no patrulhamento constante dos rios, que o inimigo conhecia muito bem, como é natural. As lanchas da Marinha de Guerra Portuguesa
  As LDM a desembarcar materiais O "cibe" é uma espécie de palmeira nativa, com duas características que a impunham na construçăo de casas ou abrigos: é uma árvore de tronco esguio e direito e é extraordinariamente rija e pesada. O seu transporte só era possível em viaturas pesadas e nas LDM - lanchas de desembarque médias, da Marinha.
  Minutos depois de uma emboscada na zona de Bula, na Placa, a caminho de Biambe. A expressăo do soldado "Rio Meăo" traduz o sentimento de todo o meu pelotăo que acabara de perder o soldado "Camionetinha", atingido no peito por uma bala inimiga. Após uma emboscada fatídica
 

O "Camionetinha" năo foi apenas a única baixa directa em combate da Companhia, mas tornou-se o símbolo da nossa permanęncia durante dois anos longe da família e, de certa forma, a justificaçăo para muito do que todos nós fizeramos ou viemos a fazer até ao final da nossa comissăo em combate.

  Após uma emboscada fatídica Depois daquela emboscada, o desânimo e a dor pela perda do companheiro de armas e o avaliar da situaçăo, já que a operaçăo tinha de continuar. Nem serviu de consolo o material de guerra abandonado pelo inimigo na fuga face à nossa determinada reacçăo de contra-ataque. Material de guerra abandonado pelo inimigo em fuga
  A Força Aérea Portuguesa teve um papel relevante, apesar da escassez de pilotos e de aeronaves. A mais ligeira delas todas, a avioneta "Dornier" foi uma heroína dos ares para os soldados portugueses.
  Em contrapartida, o inimigo dispunha por vezes de recursos superiores, como é o caso do abastecimento aéreo em que chegaram a ser utilizados helicópteros de grande porte, fretados no estrangeiro. Este heli foi capturado na zona norte do território, depois de identificado pelos pilotos de um aviăo de transporte Dakota e logo interceptado pelos jactos Fiat da Força Aérea Portuguesa.
  Hospital Militar de Bissau O Hospital Militar de Bissau era uma unidade de ponta, que constituía forte suporte psicológico para os militares em campanha. Aqui, os médicos e enfermeiros militares realizavam diariamente os pequenos milagres que salvaram muitas vidas. Também a populaçăo civil beneficiava da actuaçăo dos médicos portugueses e das condiçőes deste Hospital.
  As crianças foram uma preocupaçăo constante, mesmo em tempo de guerra e no teatro das operaçőes. A tropa disponibilizava os seus reservatórios de água  para a as brincadeiras das crianças, que beneficiavam também de assistęncia sanitária e, muitas vezes, alimentar.
  A bordo do Uige, de regresso a Lisboa Finalmente o regresso, depois de dois anos de guerra. Tal como para a ida, também o regresso foi feito no paquete Uíge, um navio civil, naqueles tempos adaptado a transporte militar, essencialmente de homens. O cais da Rocha de Conde Óbidos e a cidade de Lisboa já se divisavam no horizonte...