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Foto de 1967

Nasci na Europa, em Viseu, uma bonita cidade de Portugal. Muito cedo, com apenas 6 anos de idade meus pais levaram-me para Angola. Primeiro Nova Lisboa e depois Sá da Bandeira, cidade anichada na bacia planáltica da Serra da Chela, a cerca de 2.000 metros de altitude, o local perfeito que o Bom Deus terá escolhido para aliciar os homens, mostrando-lhes uma nesga do Paraíso...

Foi aí que o exército portuguęs me foi buscar, arrancando os meus 22 anos pletóricos de vida e de projectos, para os atirar para as bolanhas da Guiné...

Depois do curso de oficiais milicianos, que nessa altura apenas era tirado em Mafra, perto de Lisboa, o exército fez-me deambular durante cerca de um ano por várias unidades em Portugal, frequentando um curso de Minas e Armadilhas, dando instrução a recrutas e, finalmente, em instrução operacional.

Nessa altura Portugal enfrentava tręs guerras simultâneas nas suas colónias: em Angola, em Moçambique e na Guiné. Seria lógico que, como oficial miliciano, o meu destino fosse Angola, donde tinha saído, onde tinha a minha família... Mas os desígnios de quem, comodamente instalado nos gabinetes de Lisboa, decidia sobre a vida de toda uma geração de jovens, eram insondáveis...

 
 

Em finais de 1965 é formado mais um Batalhão de Caçadores (a designação dos soldados de infantaria) que, como refiro noutro local, era integrado por cerca de meio milhar de homens oriundos na maior parte das regiőes do Douro e das Beiras.

Foi aí que começou a odisseia que nos levou a uma guerra impiedosa, que causou tantas feridas e tantos traumas, que ainda hoje evitamos recordar. Por isso, as histórias que aqui se contam falam mais de homens, de jovens, de sentimentos, que da própria guerra.

Que me perdoem os estudiosos ou os belicófilos...

Porque escrevo?

Primeiro, porque sou jornalista e por isso me habituei e gosto de contar histórias...

Depois, porque constato a mágoa das muitas dezenas de ex-camaradas de armas, homens do povo tornados soldados ŕ força, que não tęm voz e nunca a tiveram, porque a vida lhes foi ainda mais madrasta.

Finalmente: porque na saga da Guerra Colonial, nos recusamos a figurar apenas como estatística!

Foto de 2004

Diamantino Pereira Monteiro